Fora Temer em Manaus [de 2016]


No último dia de agosto instalou-se por definitivo o governo Temer. Este que é produto da crise política brasileira, resolvido por meio de uma manobra parlamentar pelo congresso nacional. Uma resposta reacionária ao desgastado projeto petista. De fato, não tinha base social, nem parlamentar para aplicar o tão discutido ajuste fiscal.

Estão disponíveis vários artigos constituindo analises variadas sobre episódio sórdido da política brasileira. No final apresentarei algumas sugestões. Nosso artigo buscará registrar diante cenário regional a luta contra novo-velho governo que tem seu primeiro passo no ato fora no último sábado.

Das reuniões sindicais à iniciativa pós-impeachment
No lamentável 31 de agosto acontecia mais uma reunião entre sindicatos e movimentos sociais para debater e organizar a resistência ao pacote de maldades já em tramitação no congresso nacional. O ajuste fiscal que começou no governo petista é toda uma legislação modifica para pior a gestão orçamentária dos serviços públicos e derruba direitos históricos dos trabalhadores. Assim que pagará conta da crise econômica é povo trabalhador.

Os debates com sindicatos relevaram um entendimento: há uma indiferença por parte dos trabalhadores diante dos governos. Uma parte atribuída a política de conciliação praticada pela direção do PT a classe que levou a maioria do movimento sindical à simples ‘correia de transmissão’. Contudo, nada é para sempre, isso pode mudar com trabalho de base, com unidade na luta, constituindo da ‘indiferença’ para uma disposição a favor dos nossos direitos. Onde centro da nossa luta é contra o governo Temer...

Quando chego em casa fico sabendo das iniciativas imediatas contra o impeachment em Manaus. Essas que aconteceram de forma espontânea e radicalizada, podemos identificar. Quem não viu a queima de pneus na bola do coroado?

Isso é parte de uma movimentação que aconteceu a nível nacional em várias cidades ainda na noite do dia 31 de agosto. Uma destas iniciativas foi chamado de um ato "Fora Temer" convocado nas redes sociais; esse teve imensa adesão em instantes para o sábado, 03 de setembro no Largo São Sebastião.

Desde daquele instante, comecei a fazer a minha parte, dentro das minhas possibilidades e do caráter espontâneo desta iniciativa. Não restava dúvida que precisaríamos ação contra o novo-velho governo e todas suas medidas; e principalmente, entendesse que não fosse um ato em defesa do ex-governo petista de Dilma. Porque entendo que essa etapa acabou... também seria uma tolice, recompor um governo com esse Congresso Nacional, olhem que está lá. Por isso, tenho minhas dúvidas sobre ideia de “Direitas Já”.

Manaus contra ajuste fiscal de Temer.

O ato Fora Temer de Manaus mostrou, ainda em sua construção bem diferente, dos demais atos anteriores, conseguiu unir ativistas, movimentos e os partidos que corresponde a esquerda socialista regional. Colocamos nossas diferenças, que não são poucas, mas conseguimos uma síntese política para consolidação de uma atividade, onde corresponde à realidade regional. Verificou-se, neste sentido, o tamanho desta palavra de ordem.

Na primeira hora já tínhamos percebido esta atividade seria um fato político. Tivemos certo espaço na imprensa, que até confundiu-se, porque buscava ali uma defesa exclusiva de Dilma; embora houvesse quem defendesse o indefensável, foi uma atividade de muitas respostas para crise política, da ideia de ‘golpe’ ao ‘fora todos eles’ passando por ‘greve geral’.

Eu sou partidário das eleições gerais com novas regras. Não tem como governar com esse congresso nacional, infelizmente o nosso alcance como classe social não está ainda para fora da institucionalidade. Novas eleições podem proporcionar pelas mãos trabalhadores uma contraofensiva contra ajuste fiscal e retirada de direitos vindo do governos e parlamentos de plantão.

A composição do ato mostrou como diferencial por dois elementos. O primeiro, uma quantidade que não está relacionada qualquer organização política ou movimento que é bem maior do que nos últimos atos. E destes, vem a disposição para continuar lutando contra as medidas do governo.

Segundo a presença da maioria da esquerda e do movimento social. Do sindicato SINASEFE ao movimento de mulheres do FPMM. Da cultura com maracatu Pedra Encantada à juventude da UJC. Os parlamentares e partidos [PCB, PSOL, PT, PSTU] mostrando, qualidade do nosso ato, refletida na quantidade, bem maior que atos anteriores.

Numa curta avaliação, entendo, para uma primeira atividade, considerando caráter espontâneo e falta de uma mobilização concreta alcança seu objetivo como fato político. Possamos conciliar organização popular e sindical com ação direta, dentro de um debate que favoreça para ação, sem esconder a diferenças, deixando evidente qual é nosso proposito em comum. Seja o primeiro passo dessa caminhada, por que não um novo ‘junho de 2013’?

Uma perspectiva: todos contra ajuste fiscal, lutar sem temer!
Este primeiro ato mostra qual é o nosso caminho: as ruas. Uma evidente tarefa para toda esquerda. Por que não, uma segunda chance para esquerda socialista. Não diferente do restante do país, onde perdemos na correlação de forças de junho de 2013.  Há quem queira luta contra o governo, sabe dos erros e equívocos dos petistas no governo, mas quer um movimento dinâmico, organizado e para as pessoas comuns.

Este talvez seja instante de reencontro do povo com suas organizações tradicionais como sindicatos, movimentos e coletivos que correspondam a necessidade da situação social e política. Reuniões organizativas alternando com plenárias populares e mobilizações culturais e política espalhada pela cidade.

Nosso ponto de unidade ou centralidade da luta é contra os governos Temer e José Melo. Logo que ambos buscam demolir os direitos com seus ajustes fiscais, retirada de direitos e privatizações. É preciso resistir, lutar. Eles estão bem representados nas eleições na chapa de Artur Neto e Marcelo Ramos.

Por fim, temos colocar na pauta das candidaturas de esquerda, de José Ricardo (PT) à Marcos Queiroz (PSOL) construção desta resistência. Consequentemente, a participação das centrais sindicais como CUT, CTB e UGT fortalecer a defesa do emprego, do salário e dos direitos. E a minha organização MAIS está deste primeiro instante da disposição das lutas.

Artigos e matérias sobre o cenário político do impeachment:

Artigo do Esquerda Online. 
Por que o PT não lutou de verdade contra impeachment?

Artigo. De Silva Ferraro. Por que somos contra o impeachment

Artigo. De Henrique Canary. A Segunda chance da esquerda socialista. 

Arigo. De Gabriel Casoni no blog ConvergênciaPor que Dilma caiu pelas mãos da direita?  http://blogconvergencia.org/?p=7458

Repercussão na imprensa regional:

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