A cidade e as eleições [de 2016]




A campanha eleitoral começou de fato, com a presença de uma variedade de candidatos, na sua maioria representando os mesmos partidos; e de fato, a maioria comprometidos com ajuste fiscal na costa dos trabalhadores. Outro lado, do cenário da disputa eleitoral, está uma reflexão sobre a cidade, lugar evidência as contradições sociais e desafios da esquerda. E neste artigo, farei uma pequena reflexão sobre aspecto político de Cidade.

Como todos sabem a Cidade é um espaço geográfico. Isto é, um espaço produto da atividade humana correspondendo a cada contexto e sociedade neste relacionada. Então, corresponde atualmente a lógica capitalista, onde temos propriedade privada e a produção econômica promovida por uma classe social. Isso corresponde e relaciona-se uma série de contradições sociais e econômicas, e estas com outras, relacionam atualmente num contexto global.

Segundo Caio Zinet, as cidades desde década de 1980, vêm sendo desenhadas pela lógica neoliberal, onde propósito da cidade é respectivamente o interesse do mercado (1). É um processo histórico onde há uma disputa/competição entre territórios; onde a cidade apresenta-se atraente aos investimentos, inclusive diante de grandes eventos. E assim, o Estado (os governos e instituições) é um auxiliar, facilita os caminhos da iniciativa privada, garantindo os lucros em retorno esperado.

Isso ficou evidente nestes tempos de grandes eventos, sendo um ponto de valorização da cidade, organizada pelo capital financeiro e imobiliário; que agora, buscaram requalificar as cidades. O caso de Manaus, essa requalificação foi efêmera, foi apenas uma atividade correspondeu de forma provisória para os devidos eventos.

O discurso da mobilização da cidade para sediar os eventos, dá (ou deu) a chance de fazer a reforma urbana acontecer de forma mais rápida, até contra vontade da população e dos movimentos sociais. Assim promovendo um modelo de cidade excludente, a serviço de interesses do poder econômico.
----
Quando falamos de Cidade como direito caminhamos por uma discussão múltipla com base da geografia crítica muito presente constante na academia. Isso apresentou-se em discussões das autoridades e governos sobre desenvolvimento urbano. O aumento deste discurso na academia e sua utilização pelas autoridades até por organizações política, deixaram de fazer um debate sobre poder popular para além das políticas públicas. Como afirma Sabrina Fernandes (2)

Da maneira como é empregado pelo poder hegemônico, o direito à cidade é impossibilitado de cumprir sua função como plataforma de lutas urbanas que visam a transformação da sociedade, pois representa apenas uma mera gestão sustentável e eficiente.

Esse é o “Direito à Cidade” acaba sendo pasteurizado, desprovido de toda a sua capacidade de contribuição para uma nova hegemonia. Passa ser uma ferramenta retórica que desenvolve uma determinada versão da "tecnocracia social" se dispõe a unir: a eficiência do capital com um modelo “humanizado” de gestão de cidades.

Ainda Sabrina nos complementa que "a prática, porém, evidencia a utilização de diversos meios legais e instrumentos da política urbana para conciliar os interesses privados e do estado capitalista sob os olhos da população."

Assim, temos que tomar de ressalvas o discurso de direito do capital à cidade, ainda que adornado de expressões sociais democráticas que apenas podem tomar de "propósito de cooptar e apaziguar a crescente inquietação da sociedade em relação à moradia, serviços públicos, qualidade de vida e até mesmo a água, como é o caso de São Paulo e muitos outros estados"
----
A questão da Cidade considerando a lógica que governa e a proposta relacionada são referências para uma reflexão contundente onde base deve ser uma leitura social crítica, classista e coerente. Considerando o centro e periferia numa relação dialética, onde primeiro é urbanizado, com presença de serviços públicos, acesso ao trabalho; e outro com ausência quase completa do Estado.

Efetivando para esquerda regional uma necessidade política: colocar a comunidade e bairro para decidir sobre seus problemas. Assim como afirma Sabrina a politização do direito à cidade trata de uma nova formulação de sociedade (construção hegemônica) e da identificação de um inimigo em comum pelos seus interesses primordiais - especulação imobiliária e serviço público como mercadoria. Concordamos com que afirma Sabrina:

A falta de direito à cidade para a classe trabalhadora e precarização não é um acidente de planejamento urbanístico, tampouco um erro político de um governante ou outro. O direito à cidade é violado a todo momento porque sua violação é gerada pela estrutura de poder social e econômico (e em parceria com tantas outras estruturas de opressão)

Então, sendo parte da tarefa de refletir sobre a cidade, essa compreensão mais geral.  Esperamos que esquerda regional faça esse debate, nas eleições (das depois delas também) pois essa é parte fundamental para reflexão concreta sobre a cidade para alternativa popular. E no diálogo em cada comunidade e bairro, apresentar a visão que explicar porque a infraestrutura, o transporte público e o serviço de saúde pouco correspondem nas necessidades da população. E nós podemos mudar essa situação.

Dica de Leitura.

Referências
(1) Artigo. Hegemonia do sistema financeiro impacta nas cidades. In: Revistas Caros Amigos, n°58, pp.4-5

(2) Artigo. Sobre o direito à cidade e o socialismo. In: Blog Convergência. Postado em 16 de março de 2015.  http://blogconvergencia.org/?p=3015
0